Comprar ou alugar um imóvel é uma dúvida recorrente. O senso comum prega que pagar aluguel é jogar dinheiro fora. Já comprar casa ou apartamento, ainda que financiado, oferece a sensação boa de conquista. Mas ambos os casos dependem de uma série de fatores, que vão além do consenso popular, e serão expostos a seguir, para ajudar você nesta decisão.

Alugar imóvel

Se você está no início da fase profissional e sem estabilidade ainda, o aluguel é uma opção pela flexibilidade. Desde que respeitadas as condições do contrato de locação, você pode mudar de casa ou apartamento toda vez que o lugar não atender mais às suas expectativas, seja porque o preço do aluguel ficou caro demais para o seu rendimento, seja porque gostaria de viver em outra região.

“Saber quanto tempo pretende permanecer naquele imóvel é fundamental. Comprar acarreta custos altos com imposto, cartório e, se for o caso, com corretor, que são diluídos quando há uma perspectiva de ficar por mais de cinco anos na propriedade”, afirma o economista Luiz Calado, autor do livro Imóveis: seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio (Saraiva). “Se o objetivo é ficar menos tempo do que isso, alugar é melhor”, fala.

Alugar tem um investimento inicial mais baixo do que comprar. Tanto que, mesmo quem tem o dinheiro para adquirir um imóvel ou dar uma entrada, em alguns casos pode lucrar ao se tornar locatário.

O raciocínio é o seguinte: em vez de comprar, você investe o montante por um tempo. Com os rendimentos é possível pagar o aluguel e reinvestir o que sobra. É a taxa de retorno do imóvel que vai definir se essa escolha é adequada ao seu perfil. Para fazer o cálculo, basta pegar o valor do aluguel, dividir pelo valor do imóvel e multiplicar por 100.

Exemplo: R$ 2 mil (aluguel) ÷ 400 mil (imóvel) x 100 = 0.5

Nesse caso específico, se tiver a opção de uma aplicação com o rendimento melhor que 0.5% ao mês, compensa alugar um imóvel e investir o valor. Seja para ter um imóvel comprado à vista daqui alguns anos, para aumentar o valor da entrada e, por consequência, diminuir as parcelas, seja para comprar uma casa ou apartamento mais caro.

Comprar imóvel

Poder reformar, pintar e personalizar os cômodos conforme a sua vontade e a necessidade são vantagens de adquirir um imóvel. A compra também pode ser boa para famílias constituídas, com filhos, que tendem a preferir permanecer num mesmo lugar por anos, já que, quando a vida se estrutura em um bairro, mudar complica a rotina familiar.

Se o financiamento for a opção, é preciso ter uma fonte de renda estável. Embora o contrato seja previsível, desde o começo são determinados os valores das parcelas até o momento da quitação, que costuma ser de longo prazo e exige planejamento para honrar todas as prestações.

O ideal é dar o maior valor possível de entrada – a metade do valor do imóvel, ou mais. Tenha em mente que, quanto mais longo é o financiamento, mais caro fica o imóvel, pela incidência de juros. Contudo, a parcela não deve comprometer mais do que 30% da renda familiar líquida, para preservar a qualidade de vida de todos.

Pesquisar é imprescindível. Procure diversos bancos e levante as taxas de juros e condições até encontrar a melhor para comprar o imóvel.